Se não acreditamos em predestinação, temos que admitir então que as circunstâncias de um encontro, que por comodidade atribuímos ao acaso, são, na verdade, o resultado de uma incalculável sequência de decisões tomadas em cada cruzamento de nossa vida e que, secretamente, nos levaram até ele. Não que tenhamos buscado, nem mesmo desejado, ainda que inconscientemente, todos os nossos encontros, até mesmo os mais importantes. O que acontece é que cada um de nós age como um artista ou um escritor que constrói sua obra numa sucessão de escolhas. Um gesto ou uma palavra não determina inelutavelmente o gesto ou a palavra seguinte; pelo contrário, coloca seu autor diante de uma nova escolha. Um pintor que colocou uma pincelada de vermelho pode escolher alongá-la, justapondo-lhe uma pincelada de roxo; pode escolher fazê-la vibrar com uma pincelada de verde. No final, por mais que ele tenha trabalhado com uma certa idéia do quadro pronto na cabeça, a soma de todas as decisões tomadas, sem que tenham sido previstas, fará surgir um outro resultado. É assim que vamos conduzindo nossa vida, num encadeamento de atos bem mais deliberados do que estamos prontos a admitir, porque assumir claramente toda essa responsabilidade seria um fardo muito pesado.
Mas é difícil, muitas vezes até dilacerante admitir o quanto suas decisões e atitudes interferem no curso de sua vida. Ter certeza é impossível e, convenhamos, seria muito fácil. Mas você sente e sabe. Aí está o problema...lidar com as consequências das suas escolhas. Mas você decidiu arriscar...você decidiu abrir mão. Você teve todas as oportunidades, e foi você quem escolheu dar as costas! Medo? Medo todos temos...mas às vezes simplesmente é tarde de mais.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
In me.
Sempre tive medo de cinco coisas. Do escuro. Não posso gostar de algo que me toma e me cega. Palhaços e gente vestida de bicho. Porque são simplesmente assustadores. Aranhas. Desde menina não confio em nada que tem mais de quatro patas. Bicho que não tem cor de bicho. Um elefante azul, por exemplo. Não é normal, entende. Elefantes são de um cinza chumbo. E criei certo receio, mas não medo, pelo mar depois de um incidente quase fatal com meu pai que tive o desprazer de assistir de camarote da areia, ainda pequena. Admiro, mas respeito. Aprendi que não se brinca com algo tão grande, tão forte e tão temperamental.
Hoje, todos eles que sempre foram tão grandes, parecem ínfimos com o que sinto em relação ao futuro. O medo do amanhã me desespera e me toma por completo sem deixar brecha para qualquer outro. Não há garantias porque, do ponto de vista do medo, ninguém é forte o suficiente. É desesperador imaginar que o que está me esperando na próxima esquina pode me magoar ou me salvar de vez.
O que me resta é gritar. Porque há o direito ao grito. Então eu grito. Grito porque sei que, mesmo a plenos pulmões, ninguém irá me ouvir. Grito porque tudo o que já virou banal e patético aos olhos dos outros ainda é grande para mim. Porque sou amor da cabeça aos pés, mas ele já foi posto à prova tanta vezes que tenho medo do que possa vir a acontecer. Com ele. Comigo.
Grito porque estou com raiva e meu peito dói. Grito porque eu quero que passe e ao mesmo tempo tenho medo de que passe realmente. Grito porque me sinto uma completa idiota frente a tudo que nego para mim mesma, mesmo sabendo...
Grito porque posso e não faço. Porque quero dizer, mas engulo. Tenho medo do futuro porque tudo ao meu redor muda o tempo todo e quando dou por mim, estou no mesmo lugar. Grito porque quero ficar, mas sei que não posso.
Grito porque quero ficar...
mas sei que não vou.
Hoje, todos eles que sempre foram tão grandes, parecem ínfimos com o que sinto em relação ao futuro. O medo do amanhã me desespera e me toma por completo sem deixar brecha para qualquer outro. Não há garantias porque, do ponto de vista do medo, ninguém é forte o suficiente. É desesperador imaginar que o que está me esperando na próxima esquina pode me magoar ou me salvar de vez.
O que me resta é gritar. Porque há o direito ao grito. Então eu grito. Grito porque sei que, mesmo a plenos pulmões, ninguém irá me ouvir. Grito porque tudo o que já virou banal e patético aos olhos dos outros ainda é grande para mim. Porque sou amor da cabeça aos pés, mas ele já foi posto à prova tanta vezes que tenho medo do que possa vir a acontecer. Com ele. Comigo.
Grito porque estou com raiva e meu peito dói. Grito porque eu quero que passe e ao mesmo tempo tenho medo de que passe realmente. Grito porque me sinto uma completa idiota frente a tudo que nego para mim mesma, mesmo sabendo...
Grito porque posso e não faço. Porque quero dizer, mas engulo. Tenho medo do futuro porque tudo ao meu redor muda o tempo todo e quando dou por mim, estou no mesmo lugar. Grito porque quero ficar, mas sei que não posso.
Grito porque quero ficar...
mas sei que não vou.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Embora.
Seu coração pulou do peito e decidiu fugir sem deixar vestígios. Tudo o que sobrou foi uma mistura de sentimentos que nem ela mesma sabia explicar. As lágrimas caiam sem licença, sem aviso. Brotavam incontrolavelmente dos olhos já vermelhos e inchados. Faltava-lhe o ar. As pernas tremiam, sem forças para manter-la em pé. As mãos geladas denunciavam um desespero impossível de se conter.
Seu mundo agora era de um cinza escuro, quase chumbo, e tinha o mesmo peso em suas costas. No armário as únicas lembranças do tempo em que mesmo triste ela estava feliz.
Acabou acreditando em ilusões que hoje vendam seus olhos para o sol que brilha lá fora. Um sol opaco e sem cor, mesmo no dia mais bonito.
Anda pela rua com um sorriso no rosto e os olhos marejados. A única denúncia de que guardava algo a sete chaves no peito apertado.
Hoje o travesseiro era seu único confidente.
Hoje ela só quer uma coisa...que passe.
Seu mundo agora era de um cinza escuro, quase chumbo, e tinha o mesmo peso em suas costas. No armário as únicas lembranças do tempo em que mesmo triste ela estava feliz.
Acabou acreditando em ilusões que hoje vendam seus olhos para o sol que brilha lá fora. Um sol opaco e sem cor, mesmo no dia mais bonito.
Anda pela rua com um sorriso no rosto e os olhos marejados. A única denúncia de que guardava algo a sete chaves no peito apertado.
Hoje o travesseiro era seu único confidente.
Hoje ela só quer uma coisa...que passe.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Sem nenhum ardil.
Já estive bem perdida, sem saber para onde ir, que direção tomar. Por um momento cheguei a pensar que tinha desaprendido a respirar. Queria muito e fazia tudo.
Hoje quero pouco. Faço tudo sem fazer nada. Procuro a felicidade em mim mesma. Não espero, não quero esperar. Sei que existe um mundo de possibilidades fora de mim, e, no final das contas, temos que tomar decisões. Eu entendo.
Olhar para trás já não vale mais a pena, a dor, a expectativa. Projeto minhas esperanças em um futuro que construo hoje, baseado em coisas e pessoas palpáveis e não em sonhos idealizados. Fumo um cigarro, leio um livro, ando pela rua em um dia ensolarado, tomo um copo bem gelado de Coca-Cola zero. Porque quero, porque gosto, porque me dá prazer.
Muita coisa já não faz mais sentido, já não cabe dentro de mim, e não é meu destilá-las por aí. Guardo a sete chaves tudo o que foi. Espero com um sorriso no rosto tudo o que ainda está por vir.
Não sou um ideal de perfeição, não sou um clichê, não gosto dessa idéia. Finalmente consigo reconhecer a projeção do espelho que a muito estava vazia. Pode parecer feia, um pouco esquálida e até meio embaçada aos olhos de quem vê e não enxerga...mas é clara como água aos olhos de quem sente de dentro para fora.
Não mudo, não preciso mudar. Evoluo. São coisas diferentes, entende? A concordância, em uma frase, faz toda diferença.
Na vida não importa o resultado final. O que importa é o caminho que você tomou para chegar até ele. Isso é o que vai determinar se o preto está no branco ou se o branco está no preto. Se é Monet ou Van Gogh, Saramago ou Lispector.
A beleza está no que se deixa para o outro. No que desponta em seu peito ao som de uma batida conhecida. Mesmo que seja passado. Mesmo que não importe mais.
Minha vida é poesia e música. E é isso que quero deixar marcado no coração de quem lembra de mim.
Hoje quero pouco. Faço tudo sem fazer nada. Procuro a felicidade em mim mesma. Não espero, não quero esperar. Sei que existe um mundo de possibilidades fora de mim, e, no final das contas, temos que tomar decisões. Eu entendo.
Olhar para trás já não vale mais a pena, a dor, a expectativa. Projeto minhas esperanças em um futuro que construo hoje, baseado em coisas e pessoas palpáveis e não em sonhos idealizados. Fumo um cigarro, leio um livro, ando pela rua em um dia ensolarado, tomo um copo bem gelado de Coca-Cola zero. Porque quero, porque gosto, porque me dá prazer.
Muita coisa já não faz mais sentido, já não cabe dentro de mim, e não é meu destilá-las por aí. Guardo a sete chaves tudo o que foi. Espero com um sorriso no rosto tudo o que ainda está por vir.
Não sou um ideal de perfeição, não sou um clichê, não gosto dessa idéia. Finalmente consigo reconhecer a projeção do espelho que a muito estava vazia. Pode parecer feia, um pouco esquálida e até meio embaçada aos olhos de quem vê e não enxerga...mas é clara como água aos olhos de quem sente de dentro para fora.
Não mudo, não preciso mudar. Evoluo. São coisas diferentes, entende? A concordância, em uma frase, faz toda diferença.
Na vida não importa o resultado final. O que importa é o caminho que você tomou para chegar até ele. Isso é o que vai determinar se o preto está no branco ou se o branco está no preto. Se é Monet ou Van Gogh, Saramago ou Lispector.
A beleza está no que se deixa para o outro. No que desponta em seu peito ao som de uma batida conhecida. Mesmo que seja passado. Mesmo que não importe mais.
Minha vida é poesia e música. E é isso que quero deixar marcado no coração de quem lembra de mim.
domingo, 4 de outubro de 2009
Let go.
Às vezes é necessário. Por mais que machuque, por mais difícil que seja, você tem que deixar passar. Um dia você abre os olhos e respira fundo, bem fundo. O ar entra cortando seus pulmões com cheiro de liberdade. Uma liberdade forçada. E vai doer, vai doer muito. Mas não é justo sentir sozinha.
Não é.
open mouth kisses
soda pop wishes
I'm sorry i drank so much
and was afraid of those dirty streets
i hope you find love
and grow a new center
let go, let go of hurt
let go, let go
when you walked out that door
it's like I froze
i got so tired of needing you
and hating myself, hating myself
I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
I finally put up those blinds
you know I took my time
i felt like dying there
so you'd have to say goodbye
and I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
and let go of hurt
let go, let go
Não é.
open mouth kisses
soda pop wishes
I'm sorry i drank so much
and was afraid of those dirty streets
i hope you find love
and grow a new center
let go, let go of hurt
let go, let go
when you walked out that door
it's like I froze
i got so tired of needing you
and hating myself, hating myself
I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
I finally put up those blinds
you know I took my time
i felt like dying there
so you'd have to say goodbye
and I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
and let go of hurt
let go, let go
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Qualquer semelhança é mera coincidência!
"A ti Escorpião, darei uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te darei a permissão de falar sobre o que aprenderes. Muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês, e em tua dor te voltarás contra Mim, esquecendo que não sou Eu, mas a perversão de Minha Idéia, o que te faz sofrer. Verás tanto e tanto do homem enquanto animal, e lutarás tanto com os instintos em ti mesmo, que perderás o teu caminho; mas quando finalmente voltares, terei para ti o Dom supremo da Finalidade."
E Escorpião retornou ao seu lugar.
(Original de Martin Schulman – Karmic Astrology: The Moon's Nodes and
Reincarnation, 1977)
Escorpião é simbolizado por dois animais: a águia e o próprio escorpião. Ambos são animais solitários e que necessitam de perspicácia para sobreviver.
O escorpião é um dos animais mais resistentes que se conhece. Ele pode passar sem se alimentar por dias e sobrevive em paisagens quase que insuportavelmente quentes. É, também, o único animal que ao ficar cercado, acuado e sem saída, irá ferroar-se a si próprio. Ao contrário do que se imagina, o escorpião não ataca outros animais. Na verdade, ele só ataca quando é pisado ou provocado.
Tudo isso fala muito a respeito da psicologia de um escorpiano. Mais, ainda assim, temos que retornar ao seu próprio mito pessoal. O escorpiano nasce em meio a uma crise. Não importa que crise - um avô pode ter recentemente falecido, alguém pode estar gravemente doente ou pode ter havido algum tipo de perda. Escorpianos nunca nascem em um momento tranqüilo. O momento em que um escorpiano nasce é sempre um momento decisivo, irreversível e transformador.
Não se sabe por quê, mas mesmo os escorpianos mais amados sentem-se rejeitados. É compreensível, por exemplo, que ao nascer enquanto a família vivia o luto de algum parente, ele sinta que não seja bem vindo, não por ele mesmo, e sim pelo momento. Mas o escorpiano, a princípio, é incapaz de fazer essa distinção. Ele acha que ele é o responsável por esse momento ruim, que ele trouxe essa desgraça ou que ele não deveria 'ter vindo'. É bom lembrar que o dia de Finados ocorre enquanto o Sol está em Escorpião.
A criança escorpiana é ligada a mãe. Ela experimenta, em relação a mãe, sentimentos conflitantes. Sente um amor profundo, mas subsiste também o ódio de ter sido 'rejeitada' (mesmo que não seja verdade!). Aliás, ela não consegue ser 'neutra' em relação a mãe. Ou ela a ama com todas as forças, ou odeia, ou vai do amor ao ódio com grande facilidade. A mãe, para um escorpiano, não é uma mulher qualquer. Ela é a um só tempo forte, reservada e dominadora. Ela tem uma força silenciosa que irá transmitir a criança. Essa força poderá ser positiva ou negativa.
O pai do escorpiano não é uma figura afável. Ele pode ser distante ou autoritário. O escorpiano não sente que será tratado 'a pão de ló' por ele. Muito pelo contrário, seu pai é uma pessoa exigente. O escorpiano poderá admirar isso ou sentir-se profundamente rejeitado.
Por esse histórico, não é de se espantar que o escorpiano seja uma criatura intensa.
Escorpião é um signo altamente emocional. Ele é tão emotivo quanto o canceriano e o pisciano, mas o escorpiano procura esconder isso. Ele sabe que no momento em que a sua vulnerabilidade for revelada ele poderá ser ferido. Na verdade, ele só revela a sua face mais frágil quando sente absoluta confiança, e mesmo assim ele não o faz por muito tempo, porque por natureza o escorpiano não gosta de se expor.
E a respeito da sexualidade, questão sempre ligada a Escorpião? Escorpião é um signo da Água e também um signo Fixo. É essa fixidez que lhe dá essa natureza profundamente emocional, e o sexo é o mais perfeito canal para dar vazão a tantos sentimentos. É na sexualidade que o Escorpiano se revela. É imensa a importância do sexo para o escorpiano. Eles vivem sem tudo, menos sem sexo. O sexo é o próprio 'eu' do escorpiano.
Os escorpianos que nascem nas horas grandes - meia noite, meio dia - e no primeiro decanato, são os mais passivos possíveis mas, ao mesmo tempo, os mais intensos. Pela hora e momento de nascimento, esses são os que menos adquirem defeitos típicos de escorpianos. Não são nada vingativos, nada agressivos e tornam-se pessoas extremamente justas e amorosas. São fortemente inspirados pelas suas emoções, mas se transformam e tornam-se senhores dela. O Escorpião conhece a rejeição, e a rejeição é o sentimento mais doído que existe, daí a sua capacidade de ajudar aos outros. São pessoas que se doam e se preocupam genuinamente com os problemas alheios. Os escorpianos não pedem ajuda e sempre resolvem o problema. São extremamente fiéis, leais e justos.
Ter um escorpiano em sua vida é uma dádiva incrível. Eles possuem tanta energia que são capazes que sustentar e elevar a pessoa mais baixa e menos enérgica. Nem que isso custe a sua própria energia.
É impossível ficar indiferente à presença de um escorpiano. Ele deixa um marca tão profunda que é impossível se esquecer. Se você possui um escorpiano em sua vida, provavelmente ele tem uma importância imensa. Não traia, não minta, não o perca. Você irá se arrepender.
A missão do escorpiano não é eliminar seus sentimentos. Seus sentimentos formam um rico caldo de experiências. Muitos escorpianos são místicos, buscam o mistério da vida. O sentimento é o que os impele. A missão do escorpiano é transformar seus sentimentos. O escorpiano precisa mudar a si mesmo ao invés de voltar a sua poderosa energia para os outros.
O escorpiano passa por radicais transformações de personalidade ao longo de sua vida. Sua vida vai se tornando mais fascinante à medida que ele vai compreendendo os seus sentimentos e a sua missão. Ele tem uma forte energia que precisa ser canalizada. É como a energia nuclear: bem utilizada ela gera muitos benefícios. Todos os escorpianos são de alguma maneira 'radioativos'. Eles não podem ficar indiferentes a isso. Ou eles se desenvolvem, melhoram a si mesmo e ao mundo imediato que os cerca ou destroem. Não existe meio-termo.
Nós falamos sobre a águia. A águia mais conhecida é a Fênix, aquela que renasceu das cinzas. Os escorpianos precisam 'queimar' sentimentos primitivos, como o ódio, a rejeição ou a solidão profunda – para poderem se transformar e 'renascer', e assim cumprirem a missão a que foram destinados: deixar uma incrível marca em tudo e todos que os cercam.
E Escorpião retornou ao seu lugar.
(Original de Martin Schulman – Karmic Astrology: The Moon's Nodes and
Reincarnation, 1977)
Escorpião é simbolizado por dois animais: a águia e o próprio escorpião. Ambos são animais solitários e que necessitam de perspicácia para sobreviver.
O escorpião é um dos animais mais resistentes que se conhece. Ele pode passar sem se alimentar por dias e sobrevive em paisagens quase que insuportavelmente quentes. É, também, o único animal que ao ficar cercado, acuado e sem saída, irá ferroar-se a si próprio. Ao contrário do que se imagina, o escorpião não ataca outros animais. Na verdade, ele só ataca quando é pisado ou provocado.
Tudo isso fala muito a respeito da psicologia de um escorpiano. Mais, ainda assim, temos que retornar ao seu próprio mito pessoal. O escorpiano nasce em meio a uma crise. Não importa que crise - um avô pode ter recentemente falecido, alguém pode estar gravemente doente ou pode ter havido algum tipo de perda. Escorpianos nunca nascem em um momento tranqüilo. O momento em que um escorpiano nasce é sempre um momento decisivo, irreversível e transformador.
Não se sabe por quê, mas mesmo os escorpianos mais amados sentem-se rejeitados. É compreensível, por exemplo, que ao nascer enquanto a família vivia o luto de algum parente, ele sinta que não seja bem vindo, não por ele mesmo, e sim pelo momento. Mas o escorpiano, a princípio, é incapaz de fazer essa distinção. Ele acha que ele é o responsável por esse momento ruim, que ele trouxe essa desgraça ou que ele não deveria 'ter vindo'. É bom lembrar que o dia de Finados ocorre enquanto o Sol está em Escorpião.
A criança escorpiana é ligada a mãe. Ela experimenta, em relação a mãe, sentimentos conflitantes. Sente um amor profundo, mas subsiste também o ódio de ter sido 'rejeitada' (mesmo que não seja verdade!). Aliás, ela não consegue ser 'neutra' em relação a mãe. Ou ela a ama com todas as forças, ou odeia, ou vai do amor ao ódio com grande facilidade. A mãe, para um escorpiano, não é uma mulher qualquer. Ela é a um só tempo forte, reservada e dominadora. Ela tem uma força silenciosa que irá transmitir a criança. Essa força poderá ser positiva ou negativa.
O pai do escorpiano não é uma figura afável. Ele pode ser distante ou autoritário. O escorpiano não sente que será tratado 'a pão de ló' por ele. Muito pelo contrário, seu pai é uma pessoa exigente. O escorpiano poderá admirar isso ou sentir-se profundamente rejeitado.
Por esse histórico, não é de se espantar que o escorpiano seja uma criatura intensa.
Escorpião é um signo altamente emocional. Ele é tão emotivo quanto o canceriano e o pisciano, mas o escorpiano procura esconder isso. Ele sabe que no momento em que a sua vulnerabilidade for revelada ele poderá ser ferido. Na verdade, ele só revela a sua face mais frágil quando sente absoluta confiança, e mesmo assim ele não o faz por muito tempo, porque por natureza o escorpiano não gosta de se expor.
E a respeito da sexualidade, questão sempre ligada a Escorpião? Escorpião é um signo da Água e também um signo Fixo. É essa fixidez que lhe dá essa natureza profundamente emocional, e o sexo é o mais perfeito canal para dar vazão a tantos sentimentos. É na sexualidade que o Escorpiano se revela. É imensa a importância do sexo para o escorpiano. Eles vivem sem tudo, menos sem sexo. O sexo é o próprio 'eu' do escorpiano.
Os escorpianos que nascem nas horas grandes - meia noite, meio dia - e no primeiro decanato, são os mais passivos possíveis mas, ao mesmo tempo, os mais intensos. Pela hora e momento de nascimento, esses são os que menos adquirem defeitos típicos de escorpianos. Não são nada vingativos, nada agressivos e tornam-se pessoas extremamente justas e amorosas. São fortemente inspirados pelas suas emoções, mas se transformam e tornam-se senhores dela. O Escorpião conhece a rejeição, e a rejeição é o sentimento mais doído que existe, daí a sua capacidade de ajudar aos outros. São pessoas que se doam e se preocupam genuinamente com os problemas alheios. Os escorpianos não pedem ajuda e sempre resolvem o problema. São extremamente fiéis, leais e justos.
Ter um escorpiano em sua vida é uma dádiva incrível. Eles possuem tanta energia que são capazes que sustentar e elevar a pessoa mais baixa e menos enérgica. Nem que isso custe a sua própria energia.
É impossível ficar indiferente à presença de um escorpiano. Ele deixa um marca tão profunda que é impossível se esquecer. Se você possui um escorpiano em sua vida, provavelmente ele tem uma importância imensa. Não traia, não minta, não o perca. Você irá se arrepender.
A missão do escorpiano não é eliminar seus sentimentos. Seus sentimentos formam um rico caldo de experiências. Muitos escorpianos são místicos, buscam o mistério da vida. O sentimento é o que os impele. A missão do escorpiano é transformar seus sentimentos. O escorpiano precisa mudar a si mesmo ao invés de voltar a sua poderosa energia para os outros.
O escorpiano passa por radicais transformações de personalidade ao longo de sua vida. Sua vida vai se tornando mais fascinante à medida que ele vai compreendendo os seus sentimentos e a sua missão. Ele tem uma forte energia que precisa ser canalizada. É como a energia nuclear: bem utilizada ela gera muitos benefícios. Todos os escorpianos são de alguma maneira 'radioativos'. Eles não podem ficar indiferentes a isso. Ou eles se desenvolvem, melhoram a si mesmo e ao mundo imediato que os cerca ou destroem. Não existe meio-termo.
Nós falamos sobre a águia. A águia mais conhecida é a Fênix, aquela que renasceu das cinzas. Os escorpianos precisam 'queimar' sentimentos primitivos, como o ódio, a rejeição ou a solidão profunda – para poderem se transformar e 'renascer', e assim cumprirem a missão a que foram destinados: deixar uma incrível marca em tudo e todos que os cercam.
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