domingo, 17 de janeiro de 2010
3.
O ano chegou manso, calado. Em meio aos fogos, gritos, choros e risos, tudo o que eu ouvia era o som das ondas envolvendo meu corpo como um cobertor abençoado de água gelada em meio a tanto calor. A água salgada pulando do rosto se misturava à água salgada do mar e, por um momento, éramos um só. E nesse momento, com outro número, eu pedi para que dali para frente fosse tudo diferente.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Resumo
Se não acreditamos em predestinação, temos que admitir então que as circunstâncias de um encontro, que por comodidade atribuímos ao acaso, são, na verdade, o resultado de uma incalculável sequência de decisões tomadas em cada cruzamento de nossa vida e que, secretamente, nos levaram até ele. Não que tenhamos buscado, nem mesmo desejado, ainda que inconscientemente, todos os nossos encontros, até mesmo os mais importantes. O que acontece é que cada um de nós age como um artista ou um escritor que constrói sua obra numa sucessão de escolhas. Um gesto ou uma palavra não determina inelutavelmente o gesto ou a palavra seguinte; pelo contrário, coloca seu autor diante de uma nova escolha. Um pintor que colocou uma pincelada de vermelho pode escolher alongá-la, justapondo-lhe uma pincelada de roxo; pode escolher fazê-la vibrar com uma pincelada de verde. No final, por mais que ele tenha trabalhado com uma certa idéia do quadro pronto na cabeça, a soma de todas as decisões tomadas, sem que tenham sido previstas, fará surgir um outro resultado. É assim que vamos conduzindo nossa vida, num encadeamento de atos bem mais deliberados do que estamos prontos a admitir, porque assumir claramente toda essa responsabilidade seria um fardo muito pesado.
Mas é difícil, muitas vezes até dilacerante admitir o quanto suas decisões e atitudes interferem no curso de sua vida. Ter certeza é impossível e, convenhamos, seria muito fácil. Mas você sente e sabe. Aí está o problema...lidar com as consequências das suas escolhas. Mas você decidiu arriscar...você decidiu abrir mão. Você teve todas as oportunidades, e foi você quem escolheu dar as costas! Medo? Medo todos temos...mas às vezes simplesmente é tarde de mais.
Mas é difícil, muitas vezes até dilacerante admitir o quanto suas decisões e atitudes interferem no curso de sua vida. Ter certeza é impossível e, convenhamos, seria muito fácil. Mas você sente e sabe. Aí está o problema...lidar com as consequências das suas escolhas. Mas você decidiu arriscar...você decidiu abrir mão. Você teve todas as oportunidades, e foi você quem escolheu dar as costas! Medo? Medo todos temos...mas às vezes simplesmente é tarde de mais.
domingo, 6 de dezembro de 2009
In me.
Sempre tive medo de cinco coisas. Do escuro. Não posso gostar de algo que me toma e me cega. Palhaços e gente vestida de bicho. Porque são simplesmente assustadores. Aranhas. Desde menina não confio em nada que tem mais de quatro patas. Bicho que não tem cor de bicho. Um elefante azul, por exemplo. Não é normal, entende. Elefantes são de um cinza chumbo. E criei certo receio, mas não medo, pelo mar depois de um incidente quase fatal com meu pai que tive o desprazer de assistir de camarote da areia, ainda pequena. Admiro, mas respeito. Aprendi que não se brinca com algo tão grande, tão forte e tão temperamental.
Hoje, todos eles que sempre foram tão grandes, parecem ínfimos com o que sinto em relação ao futuro. O medo do amanhã me desespera e me toma por completo sem deixar brecha para qualquer outro. Não há garantias porque, do ponto de vista do medo, ninguém é forte o suficiente. É desesperador imaginar que o que está me esperando na próxima esquina pode me magoar ou me salvar de vez.
O que me resta é gritar. Porque há o direito ao grito. Então eu grito. Grito porque sei que, mesmo a plenos pulmões, ninguém irá me ouvir. Grito porque tudo o que já virou banal e patético aos olhos dos outros ainda é grande para mim. Porque sou amor da cabeça aos pés, mas ele já foi posto à prova tanta vezes que tenho medo do que possa vir a acontecer. Com ele. Comigo.
Grito porque estou com raiva e meu peito dói. Grito porque eu quero que passe e ao mesmo tempo tenho medo de que passe realmente. Grito porque me sinto uma completa idiota frente a tudo que nego para mim mesma, mesmo sabendo...
Grito porque posso e não faço. Porque quero dizer, mas engulo. Tenho medo do futuro porque tudo ao meu redor muda o tempo todo e quando dou por mim, estou no mesmo lugar. Grito porque quero ficar, mas sei que não posso.
Grito porque quero ficar...
mas sei que não vou.
Hoje, todos eles que sempre foram tão grandes, parecem ínfimos com o que sinto em relação ao futuro. O medo do amanhã me desespera e me toma por completo sem deixar brecha para qualquer outro. Não há garantias porque, do ponto de vista do medo, ninguém é forte o suficiente. É desesperador imaginar que o que está me esperando na próxima esquina pode me magoar ou me salvar de vez.
O que me resta é gritar. Porque há o direito ao grito. Então eu grito. Grito porque sei que, mesmo a plenos pulmões, ninguém irá me ouvir. Grito porque tudo o que já virou banal e patético aos olhos dos outros ainda é grande para mim. Porque sou amor da cabeça aos pés, mas ele já foi posto à prova tanta vezes que tenho medo do que possa vir a acontecer. Com ele. Comigo.
Grito porque estou com raiva e meu peito dói. Grito porque eu quero que passe e ao mesmo tempo tenho medo de que passe realmente. Grito porque me sinto uma completa idiota frente a tudo que nego para mim mesma, mesmo sabendo...
Grito porque posso e não faço. Porque quero dizer, mas engulo. Tenho medo do futuro porque tudo ao meu redor muda o tempo todo e quando dou por mim, estou no mesmo lugar. Grito porque quero ficar, mas sei que não posso.
Grito porque quero ficar...
mas sei que não vou.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Embora.
Seu coração pulou do peito e decidiu fugir sem deixar vestígios. Tudo o que sobrou foi uma mistura de sentimentos que nem ela mesma sabia explicar. As lágrimas caiam sem licença, sem aviso. Brotavam incontrolavelmente dos olhos já vermelhos e inchados. Faltava-lhe o ar. As pernas tremiam, sem forças para manter-la em pé. As mãos geladas denunciavam um desespero impossível de se conter.
Seu mundo agora era de um cinza escuro, quase chumbo, e tinha o mesmo peso em suas costas. No armário as únicas lembranças do tempo em que mesmo triste ela estava feliz.
Acabou acreditando em ilusões que hoje vendam seus olhos para o sol que brilha lá fora. Um sol opaco e sem cor, mesmo no dia mais bonito.
Anda pela rua com um sorriso no rosto e os olhos marejados. A única denúncia de que guardava algo a sete chaves no peito apertado.
Hoje o travesseiro era seu único confidente.
Hoje ela só quer uma coisa...que passe.
Seu mundo agora era de um cinza escuro, quase chumbo, e tinha o mesmo peso em suas costas. No armário as únicas lembranças do tempo em que mesmo triste ela estava feliz.
Acabou acreditando em ilusões que hoje vendam seus olhos para o sol que brilha lá fora. Um sol opaco e sem cor, mesmo no dia mais bonito.
Anda pela rua com um sorriso no rosto e os olhos marejados. A única denúncia de que guardava algo a sete chaves no peito apertado.
Hoje o travesseiro era seu único confidente.
Hoje ela só quer uma coisa...que passe.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Sem nenhum ardil.
Já estive bem perdida, sem saber para onde ir, que direção tomar. Por um momento cheguei a pensar que tinha desaprendido a respirar. Queria muito e fazia tudo.
Hoje quero pouco. Faço tudo sem fazer nada. Procuro a felicidade em mim mesma. Não espero, não quero esperar. Sei que existe um mundo de possibilidades fora de mim, e, no final das contas, temos que tomar decisões. Eu entendo.
Olhar para trás já não vale mais a pena, a dor, a expectativa. Projeto minhas esperanças em um futuro que construo hoje, baseado em coisas e pessoas palpáveis e não em sonhos idealizados. Fumo um cigarro, leio um livro, ando pela rua em um dia ensolarado, tomo um copo bem gelado de Coca-Cola zero. Porque quero, porque gosto, porque me dá prazer.
Muita coisa já não faz mais sentido, já não cabe dentro de mim, e não é meu destilá-las por aí. Guardo a sete chaves tudo o que foi. Espero com um sorriso no rosto tudo o que ainda está por vir.
Não sou um ideal de perfeição, não sou um clichê, não gosto dessa idéia. Finalmente consigo reconhecer a projeção do espelho que a muito estava vazia. Pode parecer feia, um pouco esquálida e até meio embaçada aos olhos de quem vê e não enxerga...mas é clara como água aos olhos de quem sente de dentro para fora.
Não mudo, não preciso mudar. Evoluo. São coisas diferentes, entende? A concordância, em uma frase, faz toda diferença.
Na vida não importa o resultado final. O que importa é o caminho que você tomou para chegar até ele. Isso é o que vai determinar se o preto está no branco ou se o branco está no preto. Se é Monet ou Van Gogh, Saramago ou Lispector.
A beleza está no que se deixa para o outro. No que desponta em seu peito ao som de uma batida conhecida. Mesmo que seja passado. Mesmo que não importe mais.
Minha vida é poesia e música. E é isso que quero deixar marcado no coração de quem lembra de mim.
Hoje quero pouco. Faço tudo sem fazer nada. Procuro a felicidade em mim mesma. Não espero, não quero esperar. Sei que existe um mundo de possibilidades fora de mim, e, no final das contas, temos que tomar decisões. Eu entendo.
Olhar para trás já não vale mais a pena, a dor, a expectativa. Projeto minhas esperanças em um futuro que construo hoje, baseado em coisas e pessoas palpáveis e não em sonhos idealizados. Fumo um cigarro, leio um livro, ando pela rua em um dia ensolarado, tomo um copo bem gelado de Coca-Cola zero. Porque quero, porque gosto, porque me dá prazer.
Muita coisa já não faz mais sentido, já não cabe dentro de mim, e não é meu destilá-las por aí. Guardo a sete chaves tudo o que foi. Espero com um sorriso no rosto tudo o que ainda está por vir.
Não sou um ideal de perfeição, não sou um clichê, não gosto dessa idéia. Finalmente consigo reconhecer a projeção do espelho que a muito estava vazia. Pode parecer feia, um pouco esquálida e até meio embaçada aos olhos de quem vê e não enxerga...mas é clara como água aos olhos de quem sente de dentro para fora.
Não mudo, não preciso mudar. Evoluo. São coisas diferentes, entende? A concordância, em uma frase, faz toda diferença.
Na vida não importa o resultado final. O que importa é o caminho que você tomou para chegar até ele. Isso é o que vai determinar se o preto está no branco ou se o branco está no preto. Se é Monet ou Van Gogh, Saramago ou Lispector.
A beleza está no que se deixa para o outro. No que desponta em seu peito ao som de uma batida conhecida. Mesmo que seja passado. Mesmo que não importe mais.
Minha vida é poesia e música. E é isso que quero deixar marcado no coração de quem lembra de mim.
domingo, 4 de outubro de 2009
Let go.
Às vezes é necessário. Por mais que machuque, por mais difícil que seja, você tem que deixar passar. Um dia você abre os olhos e respira fundo, bem fundo. O ar entra cortando seus pulmões com cheiro de liberdade. Uma liberdade forçada. E vai doer, vai doer muito. Mas não é justo sentir sozinha.
Não é.
open mouth kisses
soda pop wishes
I'm sorry i drank so much
and was afraid of those dirty streets
i hope you find love
and grow a new center
let go, let go of hurt
let go, let go
when you walked out that door
it's like I froze
i got so tired of needing you
and hating myself, hating myself
I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
I finally put up those blinds
you know I took my time
i felt like dying there
so you'd have to say goodbye
and I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
and let go of hurt
let go, let go
Não é.
open mouth kisses
soda pop wishes
I'm sorry i drank so much
and was afraid of those dirty streets
i hope you find love
and grow a new center
let go, let go of hurt
let go, let go
when you walked out that door
it's like I froze
i got so tired of needing you
and hating myself, hating myself
I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
I finally put up those blinds
you know I took my time
i felt like dying there
so you'd have to say goodbye
and I hope you find love
and grow a new center
let go, and let go of hurt
let go, let go
and let go of hurt
let go, let go
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